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Sex Education: 2ª Temporada – Review

Sex Education chega ao segundo ano com um foco renovado, mas sem perder sua essência. O plot central não vai girar mais tanto em torno das terapias sexuais de Otis (Asa Butterfield), até porque ninguém aguentaria tantos episódios com a mesma estrutura narrativa. Dessa forma, a série opta por se transformar em uma grande terapia sexual, não só para os jovens, mas para os adultos também.

O grande diferencial de Sex Education sempre foi aquilo que faz uma série de comédia marcante: bons personagens. E, nesse sentido, o segundo ano acerta em cheio ao continuar trazendo mais camadas não só aos protagonistas, mas também aos coadjuvantes e estreantes. Porém, ao mesmo tempo que ela se preocupa com cada um que ganha espaço na tela, acaba pecando um pouco com o excesso de subtramas. Já que nem todas elas são tão interessantes ou cativantes.

Dessa forma, por estar mais inchada, a série acaba não conseguindo dar tempo a alguns acontecimentos, e em muitos momentos o roteiro cria problemas para resolvê-los logo em seguida. Assim, a trama acaba ficando repetitiva.

Mas, por outro lado, a decisão em aceitar um braço um pouco mais dramático faz com que o segundo ano vá fundo em temas mais sérios. Algo que a série sempre fez muito bem foi abordar temas profundos com bom humor e isso segue fazendo muito bem. Entretanto, a primeira temporada acaba não dando o devido valor para acontecimentos marcantes, como o aborto de Maeve (Emma Mackey), que logo depois de acontecer já é praticamente esquecido.

Esse erro não é repetido no segundo ano. A própria Maeve tem um aprofundamento maior na relação com a sua mãe. E essa subtrama mostra que a série amadureceu o suficiente para tratar da relação entre pais e filhos de uma forma mais próxima da realidade. É como se a série finalmente tivesse aceitado que não faz mal uma pitada de drama em meio a tanta comédia. Apenas dessa forma a série seria capaz de discutir outro tema que aparece aqui: o abuso sexual.

Triângulos amorosos

Outra aposta em maior escala no segundo ano são os bons e velhos triângulos amorosos, algo que acontecia no primeiro ano apenas envolvendo Otis, Maeve e Jackson (Kedar Williams). Já na segunda temporada, praticamente todos os personagens estão em meio a um triângulo amoroso, ainda que muitos deles não façam ideia disso.

Só que, apesar de parecer clichê, Sex Education usa essa fórmula com tanta segurança e inteligência que consegue trabalhar o humor em torno dessa estrutura. Apesar de momentos de piadas mais bobas, no geral a série sempre fez bom uso do humor inglês, muito focado nas situações e no constrangimento. E existe alguma situação que propicie mais isso do que um triângulo amoroso?

Eric como protagonista

Outra coisa que eu sentia falta na primeira temporada era de um protagonismo maior para o Eric (Ncuti Gatwa). Apesar de vendido como um dos principais, ele estava mais para um sidekick do Otis do que qualquer outra coisa. Por sorte, o segundo ano encontrou uma zona de conforto maior para trabalhá-lo de forma mais livre, abordando seus relacionamentos e o desgrudando um pouco da figura do Otis. É claro que isso só foi possível também porque a primeira temporada já tinha resolvido sua relação familiar.

E, nesse sentido, a série conseguiu desassociar um pouco o trio central. Otis, Maeve e Eric agora têm vida própria, eles não dependem mais um do outro para existir na história. O que faz muito bem para o desenvolvimento individual de cada um.

Não seria loucura falar que a segunda temporada de Sex Education se aproxima bastante de Euphoria em estrutura narrativa e desenvolvimento de personagens. A diferença clara é que a série da HBO aborda temas mais sérios e de forma muito mais dramática, enquanto a britânica da Netflix segue sabendo fazer humor para desconstruir os clichês e tabus envolvendo a sexualidade na juventude (e agora na vida adulta também). Ambas acertam em cheio no que se propõe.

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Tenho 23 anos, sou jornalista formado, trabalho com textos para internet há mais de dois anos e escrevo e gravo críticas de cinema desde o final de 2017, quando criei o canal no YouTube "16mm".

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