locke & key

Locke & Key (1ª Temporada) – Crítica

Baseada em HQ de mesmo nome, Locke & Key é mais uma série juvenil a apostar na nostalgia dos anos 80. E, como Strangers Things também fez, não tem vergonha nenhuma de se desenvolver a partir de referências claras ao gênero de terror da época e a forma como constrói a narrativa e os personagens.

Como nas obras de Stephen King, a série traz uma narrativa juvenil a partir do ponto de vista das crianças e adolescentes, quase sempre retratando os adultos como menos inteligentes ou incapazes de acreditar na mágica, ainda que esta esteja gritando diante de seus olhos.

Além disso, a narrativa ainda encontra espaço para falar sobre o luto e como cada pessoa reage de forma diferente com o mesmo evento traumático. Infelizmente, a série começa a abandonar aos poucos as temáticas mais sérias em detrimento da aventura e do mistério. Porém, o pouco que temos de desenvolvimento para a família é o suficiente para nos fazer gostar dos personagens e querer continuar assistindo.

Já a parte mais aventuresca, começa com uma boa construção de mundo e conceitos, mas é a típica obra que não sabe resolver de forma satisfatória os mistérios criados. Quanto mais a narrativa anda, mais a qualidade vai caindo.

Os diálogos e as lições de moral que a série quer passar beiram o ridículo. Chega a dar pena dos atores por terem de reproduzir frases clichês atrás de frases clichês. O mesmo acontece com o vilão. Quando ele começa a ter sua motivação e origem revelados, fica claro que é muito menos interessante do que parecia.

Cena final

Entretanto, quase tudo é possível de aceitar tranquilamente em Locke & Key, até as várias viradas da narrativa e conceitos genéricos. Menos a cena final. Esta é um dos piores plot twists que eu já vi na vida. Ao contrário da boa obra de mistério, que sempre coloca o público dentro da narrativa tentando acertar, a série escolhe por um epílogo que beira o patético.

Nele são inseridas cenas que ainda não haviam sido mostradas para trazer uma resolução mirabolante e sem sentido. Tudo isso com um único objetivo: ter uma segunda temporada. Mas, para isso, Locke & Key não tem vergonha alguma de chamar o público de otário.

Tenho 23 anos, sou jornalista formado, trabalho com textos para internet há mais de dois anos e escrevo e gravo críticas de cinema desde o final de 2017, quando criei o canal no YouTube "16mm".

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *