I Am Not Okay With This

I Am Not Okay With This (1ª Temporada) – Crítica

Apesar de seguir praticamente à risca todos os clichês de dramédias high school que vemos há décadas e exagerar na relação de proximidade com Carrie, A Estranha (1976), I Am Not Ok With This consegue cativar o público por contar uma história simples e com carinho.

Logo de início conhecemos os principais personagens e as relações que eles têm com uma protagonista deslocada na escola e com problemas em casa. Nos é apresentados a melhor amiga, o quarterback popular da escola, o vizinho estranho, o irmão mais novo gênio e a mãe que vive relação conturbada com a filha.

Além disso, tudo se passa em uma cidade do interior, a protagonista tem um diário e fala seus pensamentos para o público por meio de uma narração em off.

Parece quase um checklist de filmes adolescentes, certo? E realmente é e a série não vai fazer questão de desconstruir esses clichês. Da mesma forma, ela não tem vergonha de transformar a referência à Carrie em praticamente uma cópia descarada.

Autoconsiência e simplicidade

Porém, ainda assim, a série tem plena consciência do uso das referências e estereótipos e usa isso como uma forma de introduzir o público em um mundo familiar. Dessa forma, não perde tempo com muitas explicações, já que são apenas sete episódios de aproximadamente 20 minutos.

Então, o que nos prende é justamente essa simplicidade, a autoconsciência nada megalomaníaca. Tudo é feito em escala menor, quase minimalista. Até os poderes da protagonista são quase invisíveis, sem o show de CGI e a pirotecnia que estamos acostumados.

Além disso, toda a parte técnica nos transporta quase que para um universo paralelo. Ao invés de ficar soltando referências aos anos 80, a série escolhe por uma fotografia amarronzada e um design de produção e figurino que parecem tirados da época em que John Hughes começou a fazer sucesso.

Tudo é feito com carinho e o que encanta o público são os personagens, com um humor bobo e desajeitado que torna aquilo mais natural, mais próximo do público. Destaque para a química entre Sophia Lillis e Wyatt Oleff.

Então, I Am Not Ok With This mostra o poder do simples. O familiar vira ponto de partida e a beleza surge do íntimo. Não é uma série que vai mudar a TV, mas vale as duas horinhas que ela propõe.

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Tenho 23 anos, sou jornalista formado, trabalho com textos para internet há mais de dois anos e escrevo e gravo críticas de cinema desde o final de 2017, quando criei o canal no YouTube "16mm".

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