Drácula

Drácula (Netflix) – 1ª Temporada | Crítica

Entre erros e acertos, Drácula chega com ousadia, sabendo a história que quer contar e como quer contar. Desenvolvida por Mark Gatiss e Steven Moffat, mesmos criadores de Sherlock, a série adapta a obra de Bram Stoker sobre o vampiro mais famoso de todos os tempos.

Porém, ao mesmo tempo que ela se baseia no livro (que já foi adaptado para o cinema algumas vezes, as mais famosas: Nosferatu, de 1922, e O Drácula de Bram Stoker, de 1992), ela vai desconstruir muitos dos elementos originais, sobretudo os clichês clássicos sobre vampiros e as duas figuras centrais.

Personagens

Claes Bang constrói um Drácula interessante, charmoso, sarcástico e culto. A forma como se move, fala e olha faz com que o público crie empatia pelo personagem. Ao mesmo tempo que ele é um assassino sanguinário, ele sabe manipular as suas vítimas, criar um jogo pelo qual se diverte.

Por outro lado, temos uma oponente a altura. Se Bang impressiona como protagonista, o mesmo deve ser dito de Dolly Wells. Como uma Van Helsing diferente do que estamos acostumados a ver, ela entra no jogo do vampiro e gosta desse duelo proposto por ele.

Ela é inteligente, destemida e tem a ironia como sua grande força. É a única a entender o vilão e usar isso ao seu favor. Enquanto é uma freira que a todo instante questiona a fé (surgem aqui algumas críticas e provocações à igreja que ora funcionam, ora soam um pouco forçadas).

E, graças ao primeiro episódio focado na dupla, a série prende desde o início. É uma pena que quando a história começa a andar ela se mostra menos interessante do que parecia inicialmente.

O foco é perdido em muitos momentos, quase sempre por causa de personagens secundários extremamente desinteressantes. O que acontece aos montes tanto no segundo quanto no terceiro episódio. E isso só não se torna mais problemático porque Bang e Wells nunca deixam a disputa entre eles perder força por completo.

Humor, terror e desenvolvimento

Apesar de algumas boas cenas de construção de tensão, sobretudo no primeiro episódio, com ótimo uso de maquiagem e efeitos práticos, a série está longe de ter o terror como foco.

Principalmente depois que conhecemos o protagonista por completo e descobrimos a banalidade que é matar e se alimentar para ele, entendemos que o que os criadores desejam mesmo é brincar com as convenções do gênero.

Dessa forma, eles conseguem inserir a comédia e o sarcasmo tanto nos personagens quanto em acontecimentos. Tudo que envolve os mitos do vampiro (cruz, sol, símbolos sagrados, etc) é tratado pela própria série como algo ridículo. E funciona muito bem assim, como coisas absurdas e inexplicáveis, até a tentativa de criar algo mais profundo por meio disso na cena final.

É justamente esta cena uma das mais problemáticas de toda a série, pois ela tenta adquirir um grau de profundidade e dramaticidade que não condiz com toda a proposta central.

Dessa forma, o episódio final acaba mostrando que a jornada foi muito mais interessante do que a finalização proposta pelos realizadores. Porém, por outro lado, há de parabenizá-los pelo formato curto, de três episódios longos, que desenvolvem a narrativa de forma coerente e satisfatória, sem tentar puxar ganchos para uma segunda temporada.

Nota: 7.0

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Tenho 23 anos, sou jornalista formado, trabalho com textos para internet há mais de dois anos e escrevo e gravo críticas de cinema desde o final de 2017, quando criei o canal no YouTube "16mm".

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