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Altered Carbon (2ª Temporada) – Crítica

Altered Carbon volta para um segunda temporada que tenta praticamente fazer um reboot com o que aconteceu na primeira. Para isso, até o ator principal é mudado (algo que faz sentido dentro desse universo de capas). Porém as alterações ficam só no papel, na prática a nova temporada erra em quase todos os mesmos aspectos da sua predecessora.

É bem verdade que nesse segundo ano alguns personagens desinteressantes e melodramas são cortados e a série consegue ser um pouco mais direta, já que todo o universo está estabelecido. Apenas alguns novos conceitos são apresentados e a maioria funciona. Sem dúvida, a construção de mundo e toda a parte visual são os grandes méritos da série, que bebe na fonte da cultura cyberpunk, mas consegue encontrar uma certa originalidade.

E há que se destacar também a presença do sempre excelente Poe, personagem mais carismático e “humano” de Altered Carbon. Mas é aí que começam a surgir os problemas, se o personagem mais humano e que mais dá vontade de torcer é uma Inteligência Artificial alguma coisa está errada com os demais personagens.

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Tenta ser mais do que é

O problema dos demais personagens é o mesmo da série como um todo: a autoimportância. Pois a série acreditar ser super profunda e filosófica com grandes personagens, mas no fundo acaba sendo apenas genérica em quase todos os aspectos.

Ou seja, o que temos aqui é uma vilã genérica que só faz coisas malvadinhas, porque… porque a série quer. A base de sustentação da narrativa é um amor que não convence e o restante do grupo principal é formado por personagens com os arcos dramáticos mais clichês imagináveis. Mas não para por aí, há também o capanga malvadão que tem um passado com o protagonista. O clone do protagonista que se vira para o lado do bem. O líder da resistência que é uma farsa criada por quem está no poder (a vilã malvadinha).

São tantos e tantos clichês envolvendo os personagens, mas que se espalham também para o roteiro e para a direção. E, sabendo disso, a série tenta mascarar todos os defeitos com uma sequência de reviravoltas previsíveis e que são abandonadas logo em seguida. Tudo com o intuito de parecer mais complexa do que realmente é.

Portanto, mais uma vez Altered Carbon impressiona à primeira vista, visualmente e em seus conceitos. Mas a partir do momento em que a gente começa a adentrar a história central dentro daquele mundo, descobrimos que tudo ali já vimos um milhão de vezes antes… e bem melhor. De novo a série desperdiça a chance de ser marcante.

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Tenho 23 anos, sou jornalista formado, trabalho com textos para internet há mais de dois anos e escrevo e gravo críticas de cinema desde o final de 2017, quando criei o canal no YouTube "16mm".

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